Tuesday, October 4, 2011

Rafinha Bastos e sua arte.

Assume-se que a humanidade é provida de racionalidade. É o que nos difere dos animais, correto?
?
 Diz a antropologia mas, honestamente, eu nao boto minha mão no fogo porque nao sou trouxa. Se o ser humano fôsse racional, teria culhão para assumir as consequências do que fala, pois tem a razão a seu lado para ponderar tudo o que pensa antes de falar. Ditto.
Corrijam-me se eu estiver enganada: mostrar a bunda ou falar besteira na televisão não difere muito em conteúdo. E olha que ta dando pano pra manga o assunto sobre esse chato do Rafinha Bastos. Deu no meu saco também, a ponto de me fazer vir postar no blog, em plena fase de hibernação. Agora segura.
 O sujeito em questão entitula seu espetáculo (?) como “A arte do insulto”. Sendo que o stand-up do cara é vendido, só compra quem quer. O CQC também é um programa cuja proposta é disparar merda pra todos os lados nos limites do politicamente tolerável (não sei ao certo quem delimita isso, mas foda-se) então, quem não quer escutar merda, que mude de canal.
Até aí, indiscutível.
O porre vem depois: se o cara fala mais que a boca, fala sem pensar porque é um bossal, insulta além da proposta do showzinho dele porque ta crente que ta abafando, é porque tem AUDIÊNCIA. Olha a foto dele aí: empunha o microfone como se fôsse uma arma. E é uma arma. Nao adianta botar a culpa no sistema. Aliás esta é a parte mais punhetóide de tudo o que é assunto mal resolvido no Brasil: a culpa ta sempre no sistema. Nêgo ja começa a falar que os políticos isso, que a censura aquilo, que os ricos e famosos aquilo outro, e aí o idiota do Rafinha Bastos caga uma sinapse e faz um discurso semi-analfabeto sobre o que é ser “politicamente correto” no Brasil e, seus fãs (diga-se aqueles que pagaram R$ 25,00 pelo ingresso do show dele, e que deram risada da piada que diz que mulher feia deveria agradecer quando é estuprada) entram em sua defesa, botando a culpa no sistema.
Entendo a revolta dos que nao acham correto que o cara seja punido devido ao insulto da vez ter se dirigido a alguém famoso. Acho justo, pois o cara chinga preto, judeu, mulher, velho, órfão, anão,viado, e onde ficam os direitos destes pobres ofendidos anônimos? Também me bate um sentimento de injustiça toda vez que vejo um famosinho queimar cartucho em benefício próprio. E uma certa invejinha também, não vou negar. Mas quem sabe nao é a audiência do famoso ofendido que, tomando as dores do querido ídolo, é capaz de massificar-se e mover montanhas? É o que o patrão/emissora acha, pode apostar.
A última dele foi a gota. Não da pra falar que tava tudo bem e que ele é ótimo, carismático, bem aceito e que deslizou uma vez, ó pobre crucificado. O cara cagou e sentou em cima trocentas vezes. 
Todo mundo gosta de uma piadinha de mau gosto e de humor apelativo, inclusive eu, e todas nós aqui do BD, mas o Rafinha Bastos deveria se atracar com  a chance da vida dele que é a tal da LIGA, e sair de fininho, se não, meus amores, vai cair no tão temido anonimato, e esse microfone treizoitão dele aí vai parar na mão do próximo engraçadinho. 
Oeste.

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