Saturday, August 20, 2011

Família no restaurante.


Restaurante popular, e na mesa ao lado o pai, a mãe, e três crianças com idades variando entre 1 e 6 anos, aproximadamente. A mãe oleosa e descabelada, com pelo menos 4 dedos da raiz do cabelo por fazer, esmalte das unhas descascando e camiseta suja. Os pêlos do sovaco claramente à mostra quase naquele esquema “who cares” dos anos 70, porque no minimo a última vez que ela fez depilação deve ter sido lá pros anos 70 mesmo. O pai, coitado, a barba por fazer coisa de 7 a 10 dias, uma meia diferente da outra, a camisa toda abarrotada e cara de prostrado mas, verdade seja dita: estava meio hipnotizado olhando pra bunda de uma menina de shortinho pós-adolescente cheia de piercings, que estava mais ali, de costas, parada na fila.
As crianças todas sujismundas dos pés à cabeça e o pequeno meio ranhento, aquela coisa linda de se ver. Subitamente surge no ar a pergunta clássica, que não quer calar:
-Mamãe, porque o céu é azul?
E em seguida a resposta rosnada, disparada pelo meio dos dentes daquela mulher com cara de possuída:
-Cala essa boca moleque, come a sua batata frita e nao enche mais o meu saco. Se fizer mais uma pergunta vai tomar um cola-brinco aqui no meio de todo mundo.
Assim, logo na lata, como uma flecha. O pai, nem tchuns, ainda hipnotizado na bundudinha da fila.
A sua reação, caro leitor, tem duas opções que variam de acordo com seu status civil e com o fato de você ter filhos ou não:
1)      “Nossa, coitado deste menino, que mãe ignorante fala assim com uma criança que ta fazendo uma perguntinha tão inocente num momento familiar que podia ser tão feliz...” OU
2)      “Nossa, coitada desta mulher. O que será que estes capetas fizeram para deixá-la neste estado, toda horrorosa e estressada.
A primeira opção é a de quem não tem filhos e nunca se submeteu à aventura de ir a um restaurante com 3 crianças, que não tem idéia de que isso é quase um suicídio, é um risco de vida. Quem imediatamente sente pena da criança, nunca teve de empurrar um carrinho de criança vazio carregando a criança no colo ao mesmo tempo, pra não pagar o mico do circo que uma criança é capaz de armar quando não quer ficar no carrinho. Nunca sentou numa mesa de restaurante sabendo que pelo menos 50% da comida que vai pedir (e pagar) irá parar no chão ainda quente. Nunca teve de fingir que nao ouviu o sonoro peido que o filho soltou durante o único momento de silêncio de uma refeição em local público, mesmo que o próprio esteja gargalhando com a boca aberta, cheia de migalha.  Nunca teve de se fazer de surdo dentro do elevador quando o filho pergunta porque aquela mulher é tão gorda, em alto e bom som. Quem sente pena da criança não sabe o quanto poderoso é o bullying que todas elas praticam diariamente contra seus pais, por natureza.
 E a segunda opção, mais realista e menos romântica, é a dos pais solidários, que sabem exatamente do que se trata aquele momento. É  o famoso “eu sinto o teu drama”. É das pessoas que já sabem que aquela é a trilhonésima pergunta que o tal moleque esta fazendo naquele dia, incansável, insaciável, invencível. É a opção de quem tem vontade de sair correndo dali direto pra igreja rezar um rosário em agradecimento por não estar sentado naquela mesa, no lugar daqueles pais.
Nisso, acontece algo mais, como uma cereja para este delicioso sundae, e para me tirar do meu transe e me trazer de volta para aquela realidade ali: a mãe solicita gentilmente que o pai começe a “levantar o acampamento”, ou seja, estão indo embora. E como este processo leva algumas dezenas de minutos para se concluir, ela saca uma teta pra fora, ali mesmo, no meio da galera, e puxa o pequeno ranhento pro abraço da hora da merenda.
 Retiro-me do ambiente, sem mais para o momento.
Oeste.







Esta é aquela doida da "octomom" fantasiada de freira com os bebês todos vestidos de diabinhos, para o Halloween. 








1 comment:

  1. Opção adotada por quem tem 3 filhos em idades anti-gastronômicas: ligar, pedir, ir buscar e comer em casa. Até porque agora é proibida a palmada inevitável...

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